5 perguntas que todo professor deve se fazer antes de inverter sua sala de aula Muito tem se falado sobre o assunto, mas é preciso entender quando vale a pena inverter a sala de aula

Escrito por: Guilherme Carvalho

flippedclassroomOs alunos deixaram de ser barreira para inverter uma sala de aula. Isso porque existem várias formas de fazer isso, mesmo sem uso de tecnologia super-modernas. Podemos usar livros, impressos, DVDs, internet, etc. O aluno, na verdade, está pedindo por aulas mais engajadoras, mais práticas, mais eficazes. Está nas mãos dos professores e escolas, portanto, entender como conseguir alcançar esse desejo. Mas fique atento que nem sempre inverter a sala de aula pode ser a solução ideal para sua realidade. Pensando nisso, preparei uma lista com algumas perguntas-chave que considero sempre quando esta dúvida vem à tona para uma determinada escola ou sala de aula. Procurei listar justamente aquelas que mais professores esquecem de se fazer neste momento. Aqui vão as 5 perguntas que todo professor deve se fazer antes de inverter sua sala de aula. 

1. Qual o melhor uso do seu tempo face-a-face? Muito mais importante do que ensinar um conceito teórico é demonstrar e permitir aos alunos experimentar e trocar experiências a partir da teoria na prática. Este tem sido o modelo cada vez mais desejado pelos jovens. Eles não estão dispostos a passar muitos minutos ouvindo o professor falar, preferem praticar. Então, reserve o tempo em sala para troca de informações entre alunos, atividades com a mão-na-massa, problemas desafiadores, perguntas complexas, aprofundamentos e atividades exploratórias. Com isso, as atividades e aulas serão mais engajadoras e os alunos aprenderão muito mais. Procure sempre considerar que suas aulas devem reforçar o engajamento, a satisfação e a eficácia. É importante dedicar ao menos alguns minutos para introduzir o novo conceito antes de entregá-los ao conteúdo online. Isso vai valorizar o conteúdo visto em casa e garantir que a base para o entendimento deste foi compartilhada com todos. Se for algo realmente novo para os alunos, provoque um pouco mais em sala fazendo algum tipo de atividade exploratória antes.

2. Quais atividades podem ser levadas para fora da sala de aula? Nem tudo pode sair da sala. Reserve ela para os pontos abordados na pergunta anterior. Nos vídeos, aproveite para apresentar um conteúdo específico, ideias principais, vocabulário, exemplos de problemas, pontos críticos, orientações para um laboratório ou projeto, entre outros.  Não deixe que eles sejam muito longos. Uma boa dica é multiplicar 1 a 1.5 vezes a série deles na escola para encontrar o tamanho máximo da lição. Mas fique atento que o conteúdo não necessariamente precisa ser disponibilizado em formato de vídeos. É possível usar outros recursos online (links, jogos, podcasts, etc.), livros ou e-books, e até atividades exploratórias guiadas (e.g.: uma pesquisa no jardim de casa para encontrar tipos de plantas).

3. O que você espera que os alunos sejam capazes de fazer mais em sala? Para fazer qualquer coisa bem feita, é preciso ter objetivos. Neste ponto, portanto, o professor precisa refletir o que quer agregar as suas aulas a partir da inversão da sala. Ou seja, deve olhar para seus alunos e analisar o que eles poderiam já chegar sabendo que tornaria aquela aula mais dinâmica e interessante para o próprio professor e também para os alunos. Nem sempre será interessante inverter a sala de aula, especialmente se o professor não acreditar que isso vai agregar valor ao seu tempo face-a-face. Este deve ter motivação para tal e estar preparado para aulas mais desafiadoras do que as convencionais. Isso porque os alunos chegarão mais preparados para uma boa discussão.

4. Como você pode tornar o aprendizado do grupo mais centrado nos alunos e envolvê-los ativamente no aprendizado? Lembre que eles estão acostumados a assistir vídeos por lazer. Não podemos simplesmente oferecer vídeos para educação e esperar que assistam da mesma forma. Então, entenda como seus alunos gostam de aprender nos vídeos. Peça feedback, adapte o conteúdo e procure manter um padrão que os engaje. Inclua conteúdo multimídia com imagens e vídeos (inclusive externos) no seu conteúdo para engajar os alunos. Proponha tempos de pausa para reflexão durante o vídeo. Por fim, ofereça perguntas ou desafios ao final dos vídeos para estimular que procurem por mais conteúdo. Uma boa prática que a Professora Crystal Kirch indica é seguir o método “Assista, Resuma e Pergunte”. Neste método, ela defende que enquanto você assiste, deve fazer anotações; ao final do vídeo, você vai pensar sobre o que aprendeu e escrever um resumo; então, você deve escrever alguma pergunta que ainda tem e trazer para a sala de aula. Com isso, os alunos realmente assistem aos vídeos e se envolvem na aula seguinte por já terem ao menos uma pergunta sobre o assunto.

5. Como você vai usar a tecnologia para ajudá-lo a responder suas respostas? Existem muitas tecnologias disponíveis para apoiar o ensino à distância. Você deve escolher a que seja mais adequada para sua realidade. Ou seja, nem sempre a mais sofisticada será a melhor. Há muitos casos de professores que usam blogs e gravam vídeos em sua própria casa e conseguem grande sucesso com poucos recursos. Este tipo de ferramenta facilita o acesso dos alunos e evita transtornos com tecnologia. Na prática, a sala de aula invertida não precisa de toda a infraestrutura de acompanhamento que um curso normal à distância exige visto que os alunos estarão se encontrando regularmente com o professor que fará um acompanhamento pessoalmente. Ou seja, o professor deve usar métodos como o sugerido pela Ms. Kirch para levar a atividade de acompanhamento para um nível elevado. Então, simplifique a tecnologia, utilize o que estiver ao seu alcance e lembre-se que o melhor acompanhamento será pessoal, tanto aluno-professor quanto entre os próprios alunos.