A educação pode ser muito mais divertida Aprender deixou de ser chato. Em escolas que adotam os jogos no aprendizado é possível encontrar alunos que não querem saber de férias ou alunos que pedem mais tarefas de casa.

Escrito por: Guilherme Carvalho

Aprender deixou de ser chato. Em escolas que adotam os jogos no aprendizado é possível encontrar alunos que não querem saber de férias ou alunos que pedem mais tarefas de casa. A educação pode ser muito mais divertida. Em 2013, numa experiência da ABA Global School, alunos do 3o ano passaram a receber como tarefa de casa o acesso a um mundo virtual em que precisavam estudar para ganhar pontos. Ou seja, precisavam fazer contas matemáticas, conectar palavras de português, separar verbos e substantivos em inglês, diferenciar planetas no sistema solar, entre outras atividades para conseguir medalhas e acessos especiais dentro do próprio mundo virtual. O resultado da experiência foi surpreendente e exigiu que a escola limitasse o acesso das crianças a 1 hora por dia para evitar o excesso de estudo. Ou seria de diversão? Isso mesmo, essas duas coisas podem se misturar e isso vem chamando cada vez mais a atenção das crianças. Já faz tempo que as crianças preferem o videogame aos livros. A diferença é que agora algumas escolas começam a estimular esta troca também. Algumas metodologias apontam que os livros podem limitar a visão do aluno, indicando que eles precisam ler vários livros para ter um pensamento crítico. Na verdade, o aprendizado está cada vez mais multimídia e os jogos estão vindo com força. Mas os jogos precisam também trazer resultados para o desenvolvimento da criança. Bons jogos são baseados em estimular escolhas relevantes. Isso porque perguntar aos jogadores e deixar que analisem opções enquanto jogam permite um espaço excelente para reflexão em decisões reais, feitas em contextos claros.

  • Por que escolheu este caminho e não o outro?
  • Por que começou atacando o inimigo ao invés de defender-se?
  • Por que escolheu este avatar?
  • Por que comprou este objeto?

gamificationCom os jogos você deixa de simplesmente escolher ou estudar os personagens e suas decisões já tomadas. Você passa a ser o personagem e tomar as decisões no lugar dele, enxergando consequências disso. Estudar a segunda guerra mundial nos livros é bem diferente de jogar simulando ser um daqueles soldados ou chefes de estado. A história fica mais nítida, é possível sentir parte do que sentiram os envolvidos naquela época. O jogo é mágico porque permite você ser transportado para outra realidade. Mas um jogo educativo não pode apenas ser divertido. Ele precisa ter objetivos de aprendizado. Se analisarmos bem, quase todo jogo permite extrair algumas lições. Afinal, ganhar exige conhecimento. Cabe, então, ao professor analisar qual o mais adequado para as lições que deseja refletir junto com seus alunos, ou mesmo criar um novo. É preciso favorecer que os jogadores conectem esse conhecimento com o mundo em torno deles. Alguns princípios do aprendizado como um jogo:

  • Todos são participantes
  • Aprendizagem percebida como diversão
  • Tudo está interconectado
  • Aprendizagem acontece por fazer
  • Falha é repaginada como iteração
  • Feedback é imediato e sem parar
  • Desafio é constante

O professor pode transformar atividades de classe ou extraclasse em jogos, não necessariamente digitais. Para isso, é preciso que seja criativo, pense como uma criança e divirta-se com seus alunos. A chave de tudo é realmente conectar os objetivos de currículo com a diversão. Também, é importante lembrar que jogos muitas vezes geram competição. Transformar esta competição em algo saudável é também tarefa do professor enquanto mediador da atividade. Logo, manter as regras sempre claras é essencial. Partes extraídas do Game As Guide do Institute of Play (http://www.instituteofplay.org/work/projects/games-as-guide/).