Criando inovadores Uma nação inovadora precisa produzir muitas idéias para resolver diferentes problemas; precisa desenvolver tecnologias para um planeta sustentável; precisa criar novos e melhores produtos, processos e serviços que outros países necessitem comprar.

Escrito por: Eduardo Carvalho

Há várias definições para inovação, mas considero o conceito definido por Rock Miller, presidente da Olin College of Engineering, muito inspirador: “Inovação é um proce​sso de ter idéias originais e insights que possuem valor, implantando-as​ de modo que sejam aceitas por u​m número significativo de pessoas”. Creating-Innovators-siteA maioria dos líderes acredita que a sustentabilidade de uma economia, sua recuperação e seu crescimento dependem da criação de inovação. Esses líderes também dizem que precisamos de muito mais jovens que possam inovar nas áreas de ciências, tecnologia e engenharia. Para que essas inovações  aconteçam é preciso investir em um currículo diferenciado em C​TEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). A globalização requer ​essa ação.​ Considerando que há um​ consenso sobre a importância vital da inovação na economia, como podemos educar crianças e jovens para tornarem-se inovadores? Quais as competências que estão relacionadas com inovação, e como elas devem ser mais bem ensinadas? Pesquisas realizadas mundialmente demonstram que a maioria dos policy makers, administradores escolares não tem absolutamente nenhuma ideia sobre que tipo de instrução é exigido para desenvolver alunos capazes de pensar crítica e criativamente, comunicar-se efetivamente a colaborar, comparado com apenas tirar boas notas em testes, afirma Tony Wagner da Universidade de Harvard. Esse educador-pesquisador interagiu com empresas altamente inovadoras como Apple, CISCO, Scholastics; visitou escolas na Finlândia, país considerado um dos mais inovadores do mundo; estudou​ ecossistemas: Pais, ensino e influências de mentores; e entrevistou mais de 150 jovens inovadores. A​ pesquisa compreendeu também análises micro e macroeconômica de vários países. A conclusão do estudo foi que para criar uma economia viável e sustentável que gere bons empregos, é necessário que ela tenha como base uma palavra: Inovação. Uma nação inovadora precisa produzir muitas idéias para resolver diferentes problemas; precisa desenvolver tecnologias para um planeta sustentável; precisa criar novos e melhores produtos, processos e serviços que outros países necessitem comprar. O nosso país está longe de ser uma nação inovadora. O indicador global de inovação nos coloca na 61ª posição, e piora ano após ano. Se desejarmos nos tornar uma economia competitiva, precisamos criar não apenas empreendedores, mas desenvolver capacidades criativas e empreendedoras na maioria dos nossos alunos, o que implica em mudança radical no sistema educacional desde a pré-escola até o nível de Doutorado. Isso exposto, o que é necessário para ser inovador?  Tony​ Wagner, na sua extensiva pesquisa sobre o assunto, considera como características essenciais: curiosidade, imaginação, perseverança, vontade de experimentar, tolerar fracasso e capacidade para design thinking, complementada pelo pensamento crítico. Após realizarem pesquisa com mais de 300 executivos e 500 indivíduos que criaram empresas inovadoras e inventaram produtos, outros pesquisadores (Jeffrey Dyer, Hal Gregersen e Clayton Christensen) concluíram que há cinco habilidades que separam pessoas inovadoras de não inovadoras: associadores, questionadores, observadores, experimentadores e networkers. Nessa pesquisa, eles entrevistaram a diretora de Talento da Google, Judy Gilbert, e pediram para ela descrever as habilidades mais importantes necessárias a quem almeja fazer parte do time da empresa. Gilbert respondeu que devem ser essencialmente pessoas competentes, mas que habilidades como curiosidade intelectual e liderança são mais importantes.  Ela disse que o (a) contratado (a) tem de ser bom para desenvolver sua função, e, sobretudo, espera que todos sejam líderes, ou seja, assumam o controle da situação e não esperem ser liderados. Segundo a diretora de Talento, para ser bem sucedido (a) na Google, tem de ter um DNA para ação, sempre se questionando como fazer algo melhor. ​Teresa Amabile, professora​ da Harvard University, define que a capacidade ​para criatividade e inovação ​é resultado da integração de competência, habilidade de pensamento criativo e motivação.​ Tony Wagner complementa que a cultura de uma instituição educacional, válida também para empresas, compreende valores, crenças e atitudes dos seus gestores, professores, técnicos, staff, e que tal cultura  influencia profundamente o desenvolvimento da capacidade de inovação. Por tudo exposto, para criar inovadores uma nação precisa ter fundamentalmente um sistema educacional​ que contemple o desenvolvimento dessas competências e habilidades em ambientes adequados​, a exemplo do que acontece em países que adotaram o modelo das competências e habilidades do século 21, ou o modelo CREATE. Preparar alunos para fazer testes como o ENEM jamais desenvolverá esse DNA nas crianças e nos jovens​, e, portanto, não criará INOVADORES.