O que é Global Education? Na prática, significa trabalhar para que o aluno seja capaz de interagir eficazmente como líder, cultivando uma visão construtiva de vida, de mundo, também sob a perspectiva do outro.

Escrito por: Eduardo Carvalho

Global Education é o ensino e o aprendizado com perspectiva e consciência global, requerendo estratégias para aprender sobre novas culturas, compreender e respeitar questões globais e nelas atuar.

Na prática, significa trabalhar para que o aluno seja capaz de interagir eficazmente como líder, cultivando uma visão construtiva de vida, de mundo, também sob a perspectiva do outro. O aprendizado contínuo ocorre ao mesmo tempo que são desenvolvidas as competências do século XXI. As opções tecnológicas para conectar salas de aula ao redor do mundo se multiplicam. Há diversas instituições que criam projetos colaborativos, basta identificar redes globais de conhecimento, ter uma banda larga de internet e dominar o idioma Inglês.

Programas como o Global Understanding são porta de embarque para estudantes universitários trocarem informações e experiências culturais com colegas da China, Índia, do Líbano, México, Bangladesh etc. sem sair da sala de aula. Discute-se, por exemplo, aspectos socioeconômicos, políticos e culturais no contexto global. Aprende-se com alunos de países que são ilhas de excelência educacional. Quer aprender nos países-modelo? Há várias oportunidades de bolsas para viabilizar esse sonho. Nos EUA, o indicador de nativos de outros países cresceu de 9,7% para 28,4% no período de 1960 a 2000, mudando a população predominantemente europeia para asiática e latina. Cerca de dois milhões de chineses conseguem vagas nas melhores universidades do mundo anualmente, sobretudo nas americanas. Aliás, nos EUA, estão situadas sete das dez melhores universidades do mundo.

As habilidades desenvolvidas pelos alunos que participam de atividades de intercâmbio são fundamentais para criar uma compreensão sobre o mundo, estimulando o network global, tornando esses jovens preparados para atuar em ambientes cada vez mais globalizados, interdependentes e competitivos. E as salas de aulas no Brasil? Elas permanecem mono culturais e mono linguísticas. Estima-se que apenas 2% da população brasileira, cerca de 500 mil pessoas, comunicam-se em Inglês fluentemente. Ou seja, apenas essa pequena parcela de brasileiros teria a competência para atuar profissionalmente em multinacionais e ser admitida em boas universidades de outros países. A grande maioria dos brasileiros não tem a mínima competência de discutir temas de contexto global. Tem havido até um crescente número de pessoas viajando para outros países, mas retornam apenas com fotos de pontos turísticos e a bagagem carregada de itens que no Brasil não temos acesso ou que os preços são exorbitantes. Planos e políticas são elaborados por diversas instituições públicas e privadas ignorando a influência global, melhores práticas e experiências desenvolvidas por outras nações. Lamentável. Entre as 200 melhores universidades do mundo, o “gigante” Brasil não tem nenhuma, e entre as 500, nosso país possui apenas três, segundo recente pesquisa da Times Higher Education, do Reino Unido. Talvez por desconhecerem esses dados, milhares de alunos brasileiros competem acirradamente para conseguir vaga em universidades públicas, e que são de baixa qualidade comparadas com as de muitos países.

Outro dado: quase a totalidade das universidades brasileiras estão desconectadas com mundo empresarial. Ex-alunos dessas universidades que se tornaram empresários não fazem qualquer doação e não apoiam qualquer projeto. O governo se gaba de mantê-las gratuitas, concentrando elevada fatia do orçamento público para esse fim, enquanto o ensino fundamental e médio mantém-se desastrosos. Inovação no Brasil em escala mundial é coisa rara. Resultado? Nenhum Prêmio Nobel e custos altíssimos com royalties de patentes criadas em outros países, que afetam toda a cadeia produtiva do Brasil. Na recente avaliação do PISA/OECD, o Brasil despencou da posição 53 para 58 do total de 65 países estudados. Essa avaliação considera o desempenho dos alunos em leitura, matemática e ciências. Como nos resultados anteriores, nem a nossa elite se salvou: os 25% alunos brasileiros mais ricos tiveram desempenho pior do que os 25% estudantes mais pobres dos países desenvolvidos. Como mudar este cenário brasileiro? Precisamos de um plano sistêmico que ofereça um conjunto de serviços de alto padrão para preparar crianças, jovens e adultos para o mundo competitivo. Esse conjunto de serviços representaria a criação de comunidades de cidadãos globais, líderes e empreendedores. Essas comunidades seriam implantadas de forma planejada por todo o país. Um projeto de longo prazo e sustentável, tendo a educação globalizada como fundamento, tornando-nos uma grande nação, digna dos brasileiros. Alternativas que não vislumbrem essa visão integrada, sistêmica, de alto padrão são eleitoreiras; apenas enganam a maioria da população que fica feliz em se liberar do filho por um turno, e que ele tenha alguma alimentação.