GloBrazil? A globalização poderia ser muito mais bem aproveitada pelo Brasil, mas acabamos nos contentando em exportar barato e importar caro.

Escrito por: Eduardo Carvalho

Globalização pode ser definida como um processo que compreende uma transformação de relações sociais e transações em extensão, intensidade, velocidade e impacto, gerando fluxos transnacionais de pessoas, recursos, produtos, tecnologias, informação, e o exercício de poder. A globalização ganhou impacto no século 20 com a redução de medidas anticompetitivas. Isso possibilitou também que  invenções se espalhassem pelo mundo. Mas, em vários países, a exemplo do Brasil, os níveis de inovação são baixos.

Nosso país participa do processo de globalização exportando recursos naturais e importando manufaturados.

De acordo com relatório do INSEAD e da Organização Mundial de Propriedade Intelectual, o Brasil ocupa a 61ª posição do ranking dos 144 países que mais inovam. Para nós, é inviável importar tecnologias sofisticadas utilizadas em laboratórios e indústrias nos países desenvolvidos. Isso frustra profissionais de várias áreas que experimentam essas tecnologias no exterior e ao retornarem ao Brasil não têm como utilizá-las. O Brasil precisa rever suas barreiras tarifárias e o custo de importação. Tecnologias que propiciam o desenvolvimento do país e contribuem para a geração de conhecimento e inovação não deveriam ser taxadas. No mercado educacional, por exemplo, sistema básico de Pátria educadora, as escolas são muito oneradas ao importar hardware (computadores, quadros interativos, projetores etc.) e softwares, além do preço pago pela patente, que não é brasileira! bandeira brasil

Quando se trata de produtos que não fabricamos, pagamos muito mais caro.

Quem ganha com essa política? Precisamos apreciar os modelos de importação de nações desenvolvidas. A globalização, cada vez mais crescente e competitiva, exige produtos globais. Uma televisão, por exemplo, pode ser projetada em um país; fabricada em outro, usando materiais e componentes de um terceiro; ter campanha de marketing realizada em um quarto país; e ser distribuída noutros tantos países. Esse modelo gerou extraordinária oportunidade de negócios. Em 1990, as Nações Unidas estimaram que atualmente existiriam 35 mil multinacionais e, no entanto, há mais de 60 mil. O Brasil tem poucas empresas que participam dessa cadeia global , mas possui um modelo genuinamente brasileiro que é considerado referência: a EMBRAER, exemplo a ser seguido. O processo globalizante tem órgãos internacionais reguladores, como a OMC-Organização Mundial do Comércio, que estabelece regras para proteger o interesse dos países membros e julga conflitos. Para  isso, é necessário que os países tenham delegados de comércio internacional competentes. No Brasil, há uma carência de boa formação nessa carreira. Nas relações internacionais, o presidente da China, Xi Jimping, anunciou em recente conferência anual da Ásia, entre outros acordos internacionais, a iniciativa da construção da Rota Econômica da Seda Marítima e Rodoviária em acordo com 60 países. Enquanto isso, o Brasil não consegue acordar com um ou  dois  países da América do Sul uma rota econômica para o Pacífico. A competitividade global dos países é avaliada pelo Fórum Econômico Mundial. Segundo essa entidade, o Brasil ocupa a 57ª posição entre os 122 países pesquisados. Nossa imagem no contexto da competitividade agrava-se ainda mais se consideramos o indicador de Educação, no qual caímos para a colocação de número 88.  Esse resultado indica que temos empregos com baixa qualificação, prejudicando a produtividade , a qualidade e a geração de inovação. Como consequência, não atraímos  renda internacional, limitando o país a viver com o fluxo de renda  interno. Imagina no contexto atual, com a balança comercial negativa? Ao observarmos o PIB real, deduzindo-se a inflação, constatamos que o país não cresce há anos. Ainda há muito a fazer em infraestrutura e serviços. Portanto, os benefícios que a globalização trouxe ao País são muito aquém do que poderíamos ter. O GloBrazil ainda é um sonho.